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SAMAKUVA ATACA REGIME |
Luanda - Desde que assumiu a liderança do seu partido, Isaías
Samakuva nunca foi tão contundente contra o regime do MPLA como o fez esta segunda-feira,
quando se dirigia aos seus correligionários durante mais uma reunião de cúpula do seu
partido.
Depois de questionar a isenção e a imparcialidade do Comissão Interministerial para o
Processo Eleitoral (CIPE), Isaías Samakuva acusou o MPLA «de subversão da democracia e
da soberania popular, seja por via da corrupção política, seja por via de emendas
constitucionais, acórdãos judiciais ou outros artifícios jurídicos». Samakuva não
hesitou em comparar o regime do MPLA com o regime fascista colonial de Oliveira Salazar.
«A oligarquia tudo fará, em 2007, para continuar a subverter a função governativa,
delapidar Angola e defraudar os angolanos.
Poderemos assistir, nas próximas semanas, a diversos episódios de subversão da
democracia. Como fiéis aprendizes dos métodos totalitaristas, o regime talvez recorra,
mais uma vez, à sua escola exactamente o que Salazar fez em 1951. Angola vive uma
situação similar. Tem um governo de um homem só, que recorre a vários artifícios
jurídico-constitucionais para furtar-se ao cumprimento das obrigações impostas pela Lei
Constitucional, em particular os seus Artigos 3°, 21° e 56°. Estes artigos obrigam o
Governo actual a realizar eleições para permitir que o povo angolano exerça o poder
político através dos seus representantes».
Isaías Samakuva frisou que o país está a viver uma vertiginosa perda de confiança dos
cidadãos nas instituições por causa do aumento da corrupção, da pilhagem do erário
público, da pobreza e da degradação do Estado de direito.
Para o líder do partido do «Galo Negro», as leis têm sido sistematicamente violadas
enquanto que a corrupção não é combatida.
De acordo com as suas palavras, «o regime persiste na sua gestão casuística do poder,
ora promovendo uma fachada de democracia, ora subvertendo a mesma». O País não tem
rumo.
A nossa intervenção política no plano interno e externo produziu três elementos novos,
que caracterizam agora o ambiente político-institucional: 1 - Os angolanos e o mundo já
perceberam que os dividendos da paz não estão a ser partilhados por todos 2 - Os
angolanos e o mundo sentem que o regime esgotou a sua capacidade governativa e a sua
credibilidade política; 3 - A comunidade internacional começa a concordar que a
manutenção do actual poder autocrático constitui um factor de instabilidade em Angola.
O início atabalhoado do registo eleitoral por um órgão não participado e não isento,
a CIPE, não deve ser visto, necessariamente, como um indicador seguro da vontade
política do regime de realizar eleições democráticas.
Parece ser mais um exercício de gestão casuística do poder para aliviar as pressões e
justificar a não realização de eleições gerais no ano de 2007. De qualquer modo,
oferece-nos uma oportunidade para testar a idoneidade administrativa do regime e obtermos
elementos fundamentais sobre a composição do universo eleitoral e sua distribuição
geográfica».
O líder da UNITA considera a agenda nacional de consenso do MPLA como um outro
instrumento de subversão da democracia. «Mas o que é mesmo esta "Agenda"?
Esta "Agenda", caros companheiros, não é mais do que um enunciado de
princípios e objectivos de governação. É só isso e nada mais: são os princípios
programáticos do MPLA.
Numa democracia multipartidária estes princípios e objectivos partidários devem ser
apresentados ao eleitorado pelos vários Partidos competidores, durante as campanhas
eleitorais. Não pode ser uma Agenda Nacional. Num regime de Partido Único é que a
agenda da elite ditactorial se transforma na Agenda nacional. Este não é o caso da
República de Angola.
Angola já tem a sua Agenda Nacional de Consenso desde 16 de Setembro de 1992. Esta Agenda
é a Lei Constitucional».
Isaías Samakuva reafirmou que só as eleições presidenciais e legislativas, realizadas
por normas e órgãos imparciais, legitimam o poder político e suas agendas ou programas
de Governo e põem fim à «prática do exercício do poder político sem mandato e sem
limite».(VR)
29 de Novembro de 2006
Fonte: VOA