Espírito de Saturno
O espírito de Saturno é obtido pela destilação seca do sal de Saturno ou acetato de chumbo.
Numa cucúrbita de 2 litros com fundo plano, deitai 500 g de sal de Saturno. Colocai a cucúrbita num forno eléctrico com placa de cerâmica e, nesta, o capitel com o vaso receptor de 2 litros com respirador na pança. Aplicai silicone em todas as juntas.
Aquecei até que o sal comece a fundir-se com ebulição. Enrolai no colo da cucúrbita um pedaço de folha fina de alumínio de forma a cobri-la completamente para sim facilitar a destilação.
Quando o sal começar a fundir-se, destilará uma fleuma procedente da água de cristalização do sal. Quando a efervescência cessar, a massa no interior da cucúrbita tornar-se-á esponjosa, aumentado de volume cerca de três vezes. Por isso, não devereis deitar numa cucúrbita de 2 litros mais que 500 g de matéria.
Quando a massa se tornar esponjosa, de cor cinzento, aumentar um pouco mais a temperatura para que comece a destilar o espírito o que se notareis pela fragrância exalada pelo respirador do vaso receptor.
Agora, colocai um pano molhado com água bem fria por cima do capitel e do corno para facilitar a destilação do espírito volátil, tendo a cautela de humedecer sempre o pano com água fria à medida que este aqueça. Também notareis, no interior do capitel veias semelhantes às que se observam na destilação do espírito de vinho.

Continuai a destilação até que não se vejam mais veias no interior do capitel. Então deixai arrefecer.
Quando a cucúrbita estiver morna, com um movimento de torção retirai o capitel. Se deixardes arrefecer completamente o alambique não conseguireis retirar o capitel e tereis que introduzir o líquido destilado pelo bico, destilando outra vez a baixa temperatura para sim, descolar o capitel.
Com uma colher de madeira com cabo comprido, retirai o caput com precaução para não partir a cucúrbita. Guardai o caput para dele extrairdes o chumbo metálico, num fogão a gás, por fusão com sal de tártaro numa cápsula de aço inoxidável ou num cadinho.
Tereis destilado cerca de 100ml de fleuma e espírito juntos. Lavai bem a cucúrbita com uma solução concentrada de soda cáustica e água. Lavai também muito bem o interior do capitel com água e detergente para que não fique o mínimo resíduo de acetato.
Depois de estar tudo muito bem limpo, deitai na cucúrbita o destilado que contém fleuma e espírito. Colocai o capitel e o vaso receptor tendo a precaução de aplicar silicone em todas as junturas.
Colocai, também, um pano molhado em água muito fria por cima do capitel e do corno para facilitar a destilação do espírito volátil.
Aplicai um calor suave que não ultrapasse 50ºC. Começará a destilar um espírito o que notareis pelas veias que se vêem no interior do capitel e do corno e pela fragrância exalada pelo respirador do vaso receptor.
Destilai assim, docemente, até não ver mais veias no interior do capitel. Então, parai e desligai o forno.
Retirai a fleuma que ficou na cucúrbita e rejeitai-a. Lavai novamente o alambique como anteriormente.
Introduzi de novo o espírito na cucúrbita (cerca de 50ml) destilai como anteriormente mas apenas 30ml. Parai e retirai o espírito que guardareis num frasco de vidro escuro bem fechado e ao abrigo da luz.
O espírito de Saturno é um acetona ainda muito impuro que tem características distintas desde o ponto de vista espagírico, da acetona vulgar. É muito aromático, volátil e inflamável, o que podereis facilmente comprovar.
Este espírito foi muito apreciado pelas suas virtudes curativas pelos antigos médicos e espagiristas, principalmente Becker. Ele chegou a afirmar num dos seus livros que o espírito de Saturno seria o famoso "espírito de mercúrio" dos filósofos. Pelo que sabemos isto não corresponde à verdade.
Von Bernus, no seu livro Médicine et Alchimie, p. 151 e 152, também refere as virtudes deste espírito.
Como se sabe, Saturno é um metal muito tóxico e, por isso, para extrair o espírito do açúcar de Saturno, terão de ser tomadas todas as precauções para que não sair impregnado pelas partículas do seu sal (acetato de chumbo) que também é tóxico.
Rubellus Petrinus